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Regra # 3 – Planeje suas necessidades de crédito

Por Fernando Blanco (parceiro de conteúdo da ANTECIPA)

Desde os tempos que os brasileiros se tornaram bípedes, é sabido que captar crédito bancário é uma tarefa complexa. E até mesmo quando o crédito está bem ofertado pagar taxas baixas é difícil para a grande maioria das empresas.

Os motivos para este cenário abundam, mas a falta de planejamento de caixa é um dos principais deles. O motivo é simples: os bancos se incomodam demais com as constantes surpresas que os empresários lhes proporcionam. Surpresas estas quase sempre negativas, bem entendido.

Se não temos como controlar as decisões de crédito do banco, a boa gestão do caixa é exclusivamente da empresa. Para começar, três coisas são fundamentais para isso:

  1. O empresário agir de forma equilibrada: não gastar sem garantir que tem fonte para financiar o gasto.
  2. Ter uma equipe financeira profissional: de preferência com um líder experiente, bem pago e motivado.
  3. Implantar um sistema gerencial de qualidade: para que o empresário possa ter previsões de caixa frequentes.

Todas as ações e imprevistos empresariais são conhecidas. Na maioria das vezes sabemos quando ocorrerão e em qual magnitude. Mas será que nos mexemos com a devida antecedência?
Vamos lá, certas situações específicas da vida empresarial sempre demandam mais caixa. Alguns exemplos gritantes:

  1. Queda de vendas, reduzindo a geração de caixa para cobrir custos fixos.
  2. Aumento de vendas, que geram mais recebíveis e, talvez, mais estoques.
  3. Aquisição de máquinas, equipamentos e imóveis, e reformas em geral.
  4. Pagamento de dívidas bancárias (a rolagem nunca é automática).
  5. Inadimplência dos clientes.
  6. Retirada dos sócios.

Ou seja, boas e más noticias geram necessidades de caixa. E gestão de caixa num país tão instável pede, sempre, postura conservadora. Talvez defensiva. Ou seja, não contamos que o inadimplente irá pagar no mês que vem, ou que a queda de vendas será revertida no próximo trimestre.

Eu sou conservador? Um urubulino? Não, sou realista: o número de empresas brasileiras que desaparecem – segundo estatísticas do SEBRAE – deixa claro que a economia brasileira é selvagem para o pequeno e médio empresário.

E num ambiente assim, arrojados e desorganizados tendem a ter um futuro parecido: problemático. E se escapa de uma crise, a tendência é despencar na próxima. Infelizmente.
Portanto, planejar é preciso. Sempre! Como fazer:

  • Expansão e modernização – uma das simples e obvias, pois salvo quebra de equipamento o empresário tem total de controlar o momento do investimento. E, portanto, deve pesquisar as melhores opções de financiamento com o mesmo ímpeto que pesquisa o melhor equipamento.
  • Retirada do empresário – aquele dinheiro que é sacado mensalmente como pró-labore não costuma criar problema. No entanto, as retiradas de grande monta, geralmente para investimentos pessoais, costuma impactar o caixa da empresa e só deveria ocorrer com muito planejamento e segurança.
  • Cada empresa tem sua própria dinâmica de capital de giro, ou seja: prazos de pagamento para fornecedores e de recebimento dos clientes, e prazo médio dos estoques que carrega. Portanto, a cada ciclo operacional o empresário precisa saber o prazo e o volume de capital de giro do ciclo de caixa. Desta forma, pode planejar com bom nível de antecipação se o aumento de vendas irá consumir muito caixa e como financia-lo.
  • Dívida bancária tem data para vencimento desde que ela é contratada. Portanto, não há desculpa para não cuidar do assunto com a devida antecipação. É fundamental começar a discutir sua rolagem com pelo menos 30 dias de antecipação. Aborde com seriedade o seu gerente – e os gerentes de outros bancos, FIDCs, factorings etc. Quanto mais oferta de crédito, mais paz você terá para negociar melhor taxa, prazo e garantias.

E quando os incidentes e acidentes da vida empresarial insistem em acontecer, como lidar com eles? Para começar, o bom planejamento de caixa reduz em muito o impactos destes. Mas ainda assim tem horas que é preciso correr para banco ou outras fontes de financiamento para cobrir o buraco inesperado.

A regra é clara: toda e qualquer empresa precisa ter um nível mínimo de capitalização para estas horas. Deixar a empresa com o caixa no osso, enquanto o empresário está construindo “umas coisinhas, afinal o mercado está bom”, é querer encrenca e não pode culpar banco e o universo.

Outro ponto fundamental é ter mais linhas de crédito aprovadas do que precisa em seu dia a dia. Não tem que manter bancos e demais financiadores “aquecidos”, com constante comunicação e bem informados. Aparecer de repente, depois de um ano, pedindo crédito é querer ter a linha negada.

Para encerrar, a mensagem-chave deste post é: P-L-A-N-E-J-A-M-E-N-T-O !!

Fernando Blanco é presidente do IDCC – Instituto para o Desenvolvimento da Cultura do Crédito (www.idcc.com.br) e parceiro de conteúdo da ANTECIPA. Ocupou posições de Presidente de seguradoras de crédito e de Diretor de bancos. É consultor, mentor e professor de crédito, liderança, estratégia e empreendedorismo. Também é coautor do livro Os 7 Passos para o Melhor Relacionamento Bancário e atua como mentor do Instituto Endeavor.

Fale com Fernando Blanco pelo LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/fernandoblanco/  ou via [email protected].

Categorias:
crédito

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